
Era uma vez, num reino no interior de Minas, vivia um cavaleiro em seu castelo de 25 milhões de reais. O cavaleiro vivia com seus dois filhos, Laranja e Laranjinha, cujo castelo fora colocado em seus nomes para sonegar o imposto de renda.
Todos os dias, o cavaleiro ia para frente do espelho mágico e perguntava:
- Espelho, espelho meu, existe no Congresso alguém mais sonegador do que eu?
- Ah, meu bom cavaleiro, o que mais tem no Congresso é sonegador! Muda o disco e faz uma pergunta mais fácil.
Mas o cavaleiro não desistia. Os dias se passavam e ele criava mais empresas para sonegar cada vez mais.
Um dia, o rei resolveu nomear o cavaleiro para juiz do reino. Foi um alvoroço só. Os súditos não gostaram.
- Meu rei, o homem é um grande sonegador. Como podeis julgar outros pelo mesmo crime?
- Desde quando ser safado, corrupto e desonesto foi empecilho para assumir cargos de relevância em meu reino, súdito ingênuo?
E assim, o cavaleiro sonegador, em seu castelo de 25 milhões de reais, assumiu o cargo de juiz do reino.
Mas eis que surgiu um arauto cavaleiro, de baixa estatura, mas grande coragem. Ele vinha da terra dos anões, mas descendia de nobre linhagem baiana, neto do maior senhor feudal da Bahia. Com sua coragem e poder, ameaçou expulsar o cavaleiro sonegador da “Ordem do Demo”, a irmandade da qual o cavaleiro fazia parte. Novamente o alvoroço tomou conta do reino. Os súditos ameaçaram uma revolução. O rei, com medo de ficar mal na fita com seu povo, resolveu destituir o cavaleiro do cargo de juiz e nomeou o próprio cavaleiro da baixa estatura para seu lugar.
E o cavaleiro sonegador voltou para seu castelo de 25 milhões de reais e para seu espelho mágico.
- Espelho, espelho meu, existe no Congresso alguém mais injustiçado do que eu?
- Ah, meu bom cavaleiro, tu podes não ser o mais injustiçado, mas certamente és o mais cara de pau.